terça-feira, 1 de outubro de 2013

Piscinas de água salgada - uma boa opção? II


Quais são os falsos conceitos acerca de piscinas de água salgada?

Uma piscina de água salgada proporciona várias boas razões para converter a sua piscina de água doce. Existem, porém, alguns conceitos gerais errados que auxiliaram a acelerar a popularidade destas piscinas. Em primeiro lugar, as piscinas de água salgada não são isentas de químicos, nem sequer de cloro. A água salgada não tem capacidade por si só de garantir sanitização sem eletrólise. Este processo gera cloro que tem a mesma estrutura química do cloro produzido industrialmente, com os mesmos benefícios e problemas que este último. A propósito, a designação industrial de um sistema de piscina de água salgada é gerador de cloro. O segundo falso conceito é que a água num sistema de piscina de água salgada terá melhor aspeto, saberá melhor e será muito mais agradável. Na realidade, se essa comparação for feita com uma piscina de água doce mal mantida, isso será verdade. Porém, se for comparada com uma piscina com um bom plano de manutenção não existirão diferenças mensuráveis no contacto com a água, no aspeto e no sabor.

As piscinas de água salgada devem ser mantidas de forma adequada para que sejam seguras e fonte de prazer para a família e amigos. Durante anos a única forma de impedir o desenvolvimento de bactérias a níveis prejudiciais foi a utilização de químicos produzidos em massa. É perigoso armazenar e utilizar estes produtos químicos. A simples leitura dos avisos nas etiquetas dos recipientes demonstra a sua perigosidade. Se leram o artigo da newsletter anterior (hipoclorito de sódio e amónia – mistura explosiva!) devem ter ficado com uma ideia do que estou a falar.

 
O clorador salino eliminará todos os problemas de equilíbrio químico da água?
Infelizmente, não. Se os cloradores salinos oferecem alguns benefícios persuasivos, não consistem no ovo de Colombo que alguns comerciantes vendem. Afinal, a única coisa que fazem é criar cloro. O produto final, cloro, é basicamente idêntico ao que pode ser adquirido em qualquer estabelecimento. Algumas pessoas optam pelos cloradores salinos na esperança de que eliminarão alguns problemas concretos tal como o ardor dos olhos, irritações da pele, o “odor a cloro”, etc.. Estes problemas são criados pelas cloraminas, não pelo cloro propriamente dito. As cloraminas são um subproduto da desinfeção que causam cerca de 90% dos problemas com a química da água. Estudos científicos relacionam as cloraminas e outros subprodutos da desinfeção com a asma, alergias, e até com algumas formas de cancro. As cloraminas e outros subprodutos podem ser eliminados com um sistema de piscina com sistema de tratamento ultravioleta – um potente oxidador que funciona bem com ou sem gerador de cloro. De acordo com OMS (Organização Mundial de Saúde), níveis de cloro  baixos na ordem dos 0,5 ppm são eficazes quando se usa a tecnologia UV.
 

 
 
 
O que o clorador não pode fazer pela piscina
Nas piscinas, o cloro tem uma dupla função de desinfetar e oxidar. O clorador salino só consegue gerar cloro suficiente para a sanitização. Não criam cloro com rapidez e em quantidade suficientes para oxidar contaminantes na água da piscina. Porque é necessário oxidar a água da piscina? Os contaminantes orgânicos tal como o suor, a urina, as fezes, folhas, e poeiras acumulam-se na água da piscina com o tempo. Estes contaminantes têm de ser desagregados. A oxidação tem de ser concretizada por uma de duas vias – com um sistema de desinfeção UV ou com subrecloração com altos teores de cloro tradicional. Os sistemas UV são os oxidantes mais “fortes” disponíveis, de acordo com a organização Professional Pool Operators of America.
 
 
 
 
 
 
Por último, existe o falso conceito de que não é preciso fazer manutenção da piscina de água salgada. É necessário analisar e ajustar regularmente o cloro e a alcalinidade para manter o equilíbrio adequado da água. Além disso, é preciso estar consciente de que o cloro natural produzido no sistema não está estabilizado. Pode sofrer alterações devido a diversos fatores. É necessário analisar o nível de ácido cianúrico (triazina). O ácido cianúrico é também designado por condicionador de piscinas sendo mais adequado em piscinas exteriores expostas à luz solar pois retarda a degradação do cloro.
Consideração importante sobre sistemas de piscina de água salgada
As piscinas de água salgada oferecem grandes vantagens e benefícios. No entanto, é importante considerar que todas as coisas têm vantagens e desvantagens. Antes de fazer tal investimento de vulto é importante estar seguro de que se consegue manter durante muito tempo. Deve-se, portanto, estar seguro de que se compreende tudo o há que saber sobre piscinas de água salgada. Conheça os factos. Leia artigos de especialistas. As piscinas de água salgada podem ser um excelente investimento pela economia a prazo que oferece e os benefícios para a saúde e ecossistema. Mas, para isso, há que fazer um controlo rigoroso da química da água e evitar descargas de grandes volumes de água salgada para o ecossistema.
Porquê instalar uma piscina de água salgada?
O melhor motivo para optar por uma piscina de água salgada é a conveniência. Vejamos, ninguém gosta de ir comprar, armazenar e manipular cloro. Porque não produzi-lo em casa, diretamente na piscina? Estas piscinas têm a capacidade de injetar um fluxo estável na água. Apesar deste facto, a maioria das piscinas caseiras não estão capacitadas para monitorizar os níveis de cloro na água e ajustar o fluxo em concordância. Este tipo de característica tecnológica encontra-se maioritariamente em piscinas comerciais nas quais a qualidade da água é crítica. No entanto, recentemente entraram no mercado alguns sistemas de automatização de piscina que testam com precisão e controlam os níveis de cloro e pH.
Porquê não instalar uma piscina de água salgada?
Se por um lado as piscinas de água salgada têm algumas vantagens, também apresentam algumas desvantagens que é preciso conhecer. Muitos destes “contras” tornaram-se evidentes ao longo dos anos. Por exemplo, têm havido crescentes relatos de danos causados pelo sal  nas superfícies das piscinas, incluindo os entablamentos de pedra e estuques. Alguns tipos de pedra são mais afetados, tal como a pedra calcária. Este problema resultou em que alguns construtores de piscinas parassem de vender piscinas com sistemas de água salgada. Outros solicitam ao comprador um termo de responsabilidade isentando as suas garantias de danos causados pelo sistema de água salgada. Foram, também, reportados alguns casos credíveis relacionando a água salgada com danos de equipamento do sistema. Todos os equipamentos de piscina, especialmente se contiverem componentes metálicos, estão em risco. Alguns construtores sugerem aos clientes com estes sistemas a aplicarem uma cobertura (deck) e aplicarem vedantes em cada 3-4 meses para proteção.
Os sistemas de piscina de água salgada podem produzir níveis inseguros de cloro
Os fabricantes recomendam que os proprietários mantenham os níveis de cloro de 2-4 ppm. Estudos científicos recentes relacionaram as concentrações de cloro desta gama com questões de saúde, incluindo asma, alergias, e até cancro. A boa notícia é que se podem baixar os níveis de cloro aplicando um sistema de desinfeção por UV, como referi. As piscinas de água salgada têm ganho uma fatia importante de mercado sobre as piscinas tradicionais nos últimos 5 anos. Porém, os factos falam por si. Para que as piscinas de água salgada possam realmente ser uma fonte de prazer é preciso torná-las efetivamente mais seguras com a utilização das tecnologias mais recentes de UV. De resto, o mito de serem mais saudáveis que as piscinas tradicionais a cloro cai perante estes mesmos factos. A opção será mesmo e apenas a conveniência de não ter de adquirir, armazenar e manipular produtos químicos.
Uma vez que as piscinas de água salgada produzem cloro, a sua eficiência de sanitização é afetada pela luz solar, a chuva, a carga de banhistas, os níveis de fosfatos, temperatura e acumulação de cálcio. Alterações em qualquer destas condições podem conduzir a surtos de algas que obrigam a tratamentos de “choque” da água. A contra lavagem de água salgada pode esterilizar solos e matar plantas nos sistemas de escoamento que não estão ligados às redes de esgoto municipais. Por esse motivo muitos municípios nos EUA e Austrália – de onde estes sistemas são originários – proíbem a contra lavagem destas piscinas.
Estão a aparecer cada vez mais evidências de que o sal – através dos danos provocados pelo cloro – acelera a erosão de rocha e cimento. O processo de eletrólise tem sido citado como causador de rápida deterioração de metais na piscina, como as resistências do aquecimento, escadas, corrimãos e aros de focos de luz, etc…
 
As alternativas aos cloradores

Numa visita a qualquer centro aquático de eventos olímpicos ou às maiores universidades, não encontraríamos um único clorador. Encontraríamos, certamente, sistemas de automação e de desinfeção UV. Os sistemas de automação usam controladores de tecnologia avançada para testar a água e ajustar a química automaticamente 24 horas por dia, sete dias por semana, 365 dias por ano. Este processo acontece automaticamente a cada minuto. Alguns proprietários estão a optar por sistemas que lhes permitem reduzir drasticamente os níveis de cloro livre na água. Atualmente existem opções que tornam a piscina ou o spa mais amigos do ambiente e da carteira! Hoje, é possível desfrutar piscinas que usam menos água, poupam eletricidade e utilizam apenas uma fração do cloro produzido pela maioria dos cloradores. Os sistemas de piscina com tecnologia UV e por ionização (sobre os quais falaremos em maior detalhe no futuro) estão rapidamente a tornar-se o padrão de conceção de piscinas amigas-do-ambiente. Relatórios recentes expõem os perigos de nadar em águas com elevados níveis de químicos e aconselham os proprietários de piscinas a procurar alternativas. Para quem opte por uma piscina de água salgada é altamente recomendada a utilização de um sistema complementar de sanitização por UV. Estes sistemas funcionam muito bem com ou sem a presença de cloradores para reduzir os níveis de cloro necessários e tornar a piscina mais saudável e fácil de manter. Os sistemas de ionização minimizam a utilização de químicos em 90%, bastando a utilização de um oxidante sem cloro para eliminação de resíduos orgânicos provenientes da chuva, dos protetores solares e bronzeadores, e transportadas pelo vento.
"Concentrações baixas de cloro livre podem proteger a saúde quando é utilizado UV."

Organização Mundial de Saúde

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

















segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Piscinas de água salgada - uma boa opção?


O ser humano pretenderá sempre inovar em tudo aquilo que o rodeia e procura rodear-se de cada vez mais coisas que lhe tragam qualidade de vida. Não direi aproximar-se da natureza trazendo-a para casa, pois isso implica o despojo de tudo quanto é supérfluo à vida e o retorno ao elementar mas, antes a reinvenção da natureza, adaptando-a a um estilo de vida tendencialmente mais exigente. Uma piscina em casa é um bom exemplo do que falo. Tradicionalmente, as piscinas em casa e em resorts usam sistemas de tratamento à base de cloro. Depois de extensiva pesquisa começaram a ser introduzidos os sistemas de água salgada.
 
A fama das piscinas de água salgada
Os sistemas de água salgada estão a ganhar popularidade entre proprietários de casas. Deve-se principalmente à conveniência do seu uso e ao facto da sua manutenção ser mais económica que os sistemas de cloro. Isto porque os sistemas de piscina de água salgada são considerados incorretamente como mais simples de manter.
O grande mito dos sistemas de água salgada
Antes de abordar os prós e contras dos sistemas de piscina de água salgada, será bom estabelecer o que não são. Os sistemas de piscina de água salgada não são piscinas isentas de cloro. Não são piscinas isentas de produtos químicos. Uma piscina de água salgada produz cloro através do processo de eletrólise, como já vimos. Se pretende uma piscina isenta de cloro, é aconselhável ponderar a utilização de sistemas de desinfeção por ultravioleta e piscinas de peróxido de hidrogénio (comumente designado por água oxigenada).
Factos sobre piscinas de água salgada
Se considera investir na instalação de uma piscina de água salgada em casa deverá primeiro obter alguma informação factual sobre tal investimento.
Em primeiro lugar estes sistemas de piscina têm a faculdade de gerar o seu próprio cloro. Este cloro designa-se por cloro natural, por contraste com o cloro que tem de ser adquirido em estabelecimentos específicos. O cloro natural que é produzido no próprio sistema tem um pH positivo (11,7). Significa que o cloro é uma base. Dada essa propriedade não é considerado como perigoso para a saúde porque não causa irritações, especialmente na pele e nos olhos. No entanto, existe uma desvantagem em ter cloro natural. Dada a sua natureza de base, perderá a sua capacidade de sanitização se o pH da água atingir ou exceder os 7,8. Tradicionalmente uma piscina de água salgada deve manter um pH entre os 8,0 e os 7,8 (valores correspondentes aos da água do mar). Existe, porém, um contra: ao manter um pH mais elevado que o ideal (7,4 – 7,6) existe o perigo de escalada de cloro. O equilíbrio entre pH e a alcalinidade da água está comprometido. Portanto, piscinas de água salgada sem necessidade de manutenção é um mito criado para vender o sistema sem correspondência na realidade.
 
Em Segundo lugar, estes sistemas utilizam um gerador de cloro (clorador salino). O clorador produz cloro por eletrólise usando uma solução salina, armazenada no próprio tanque da piscina. A piscina de água salgada é criada introduzindo centenas de quilos de sal à água da piscina (depende da capacidade do tanque, numa concentração de 2-5 gr/L).


Este dispositivo contém uma célula de eletrólise que é bastante dispendiosa. Prepare-se para uma despesa avultada quando precisar de as substituir! Porém, não terá de se preocupar muito com o desgaste se não a usar com frequência. O clorador salino pode durar bastante tempo se o utilizar de forma adequada e com uma frequência menor. A célula de eletrólise pode ser constituída por vários metais, o mais usual é o titânio. A água de retorno é forçada a passar entre os elétrodos da célula onde devido a uma pequena descarga elétrica é ionizada resultando hipoclorito de sódio (NaClO) que deverá ser mantido a níveis de concentração médios de 2 – 4 ppm. Existem vários fatores que podem influenciar quanta manutenção será necessária para manter a célula livre de acumulações de contaminantes. O cálcio e outros minerais existentes na água da piscina afetam a duração da célula de forma dramática. Níveis altos de minerais irão provocar acumulação na célula. Além disso, a qualidade do sal colocado no sistema faz toda a diferença. O sal de consumo geral vendido nos estabelecimentos comerciais contém muitos minerais, principalmente se for marinho. Estes minerais acumular-se-ão na célula. Se adquirir uma piscina de água salgada ou converter a sua é um bom princípio comprar sal altamente refinado com a maior pureza possível. Existe no mercado sal purificado específico para piscinas. Embora os cloradores de última geração já disponham de um sistema de auto limpeza da célula por inversão de polaridade, os elétrodos vão-se deteriorando durante a troca de eletrões. Um bom conselho é adquirir um clorador com capacidade superior ao volume de água da piscina. Embora seja um pouco mais dispendioso, terá um bom retorno uma vez que a célula trabalhará muito menos tempo o que prolongará exponencialmente a sua duração.
continua...
Artigo compilado por Luís Manuel Pinto Jordão
Se tiver alguma questão queira seguir-nos por aqui!

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Hipoclorito de sódio e amónia - mistura EXPLOSIVA III


Os perigos de misturar lixivia com amónia

É frequente pensar-se que uma solução de lixivia com amónia resultará num excelente agente desinfetante, desengordurante e branqueador. Se recordarmos que o gás cloro foi usado como arma química durante a primeira Guerra Mundial e posteriormente pela Alemanha nazi na segunda Guerra Mundial, os riscos para a saúde tornam-se mais aparentes. Este artigo ilustrará apenas algumas reações que podem ocorrer quando se mistura lixivia com amónia em várias proporções – a libertação de gás cloro é apenas uma. Nos parágrafos seguintes o título será o nome do composto mais perigoso produzido na reação mostrada. Não tente reproduzir nada disto.

Gás Cloro (Cl₂)

A lixivia de uso geral tem uma formula química de NaOCl – isto é, um átomo de sódio (Na), um de oxigénio (O) e um de cloro (Cl). A sua designação química é hipoclorito de sódio. A ammonia tem uma formula química de NH₃, ou seja, um átomo de nitrogénio (N) e três átomos de hidrogénio (H₃). Quando estes dois compostos são combinados dá-se a seguinte reação:

2(partes)NaOCl + 2NH₃ --> 2NaONH₃ + Cl₂.

Observe o Cl₂ no extremo direito da reação. Isto significa uma parte de gás cloro formado por uma molécula diatómica (dois átomos). Significa também que foi libertado gás cloro da lixívia, muito plausível de causar danos quando inalado!

Para compreender os efeitos que o gás cloro tem no organismo, precisamos compreender as suas propriedades químicas, particularmente a sua valência, ou número de ligações químicas que pode formar. O cloro situa-se no grupo 17 da classificação tradicional de elementos, um antes dos gases inertes, os quais, como o nome sugere, praticamente não reagem. O cloro tem sete eletrões na camada exterior de eletrões.
 

 

A Regra do Octeto estabelece que todos os elementos tentam preencher a camada exterior de eletrões até que tenham 8 eletrões. Quando um elemento químico tem oito eletrões na camada exterior torna-se estável. Estando tão perto de ter oito eletrões na sua camada exterior, o cloro está “desesperado” para conseguir aquele último eletrão e destruirá literalmente outros átomos para o conseguir. Isso é precisamente o que acontece ao nosso sistema respiratório quando inalamos gás cloro. O gás destrói as vias nasais, a traqueia e pulmões, causando danos celulares massivos. Obviamente, causa uma morte bastante dolorosa.
 
Tricloreto de Nitrogénio (NCl₃)
Outra potencial reação, que ocorre quando se mistura uma quantidade maior de hipoclorito de sódio que de amónia, é a seguinte:
 3(partes)NaOCl + NH₃ --> 3NaOH + NCl₃
Resultam hidróxido de sódio e tricloreto de nitrogénio. O tricloreto de nitrogénio é um um químico muito tóxico para os seres humanos, e mesmo que a aproximação fosse tal que permitisse a ingestão, provavelmente explodiria antes disso, pois é um explosivo muito volátil. Não me parece necessário explicar porque isto é mau!
 
 
Hidrazina (N₂H₄)
Outra reação – desta vez em três fases – pode ocorrer, produzindo hidrazina (um component de combustível para foguetões) se houver mais amónia que lixívia:
NH₃ + NaOCl --> NaOH + NH₂Cl.
Estes dois compostos reagem, então, com a amónia, da seguinte forma:
NH₃ + NH₂Cl + NaOH -->N₂H₄ + NaCl + H₂O.
Uma última reação ocorre para estabilizar os reagentes:
2(partes)NH₂Cl + N₂H₄ --> 2 NH₄Cl + N₂.
Esta última equação tem particular interesse porque a quantidade de calor produzida  é de tal ordem que levará usualmente a uma explosão.
Em conclusão, a manipulação de químicos é bastante perigosa principalmente se não soubermos o que estamos a fazer. É por isso que uma das regras de ouro nesta atividade de limpezas é nunca misturar solutos de características distintas, mesmo que nos pareça o ovo de colombo. Havendo um conhecimento mínimo de química e das propriedades e valências dos compostos envolvidos no processo permitirá ter noção da reação que se espera. Não havendo, é uma roleta russa. Por exemplo, sabia que a simples mistura de cloro com a água produz ácido hipocloroso (HClO)?  Eis a reção:

Cl2 + H2OHClO + HCl
 
É um ácido bastante instável e fraco mas com propriedades de desinfeção de pH entre 4 e 7.5. Pode parecer não ter qualquer importância mas, como todos sabemos os alcalis e os ácidos reagem quando em contacto. Na adequada seleção dos detergentes ou agentes químicos para fins de limpeza tem de ser considerada a superfície sobre a qual a ação irá ser executada. Ora, se as pedras calcárias (pedra calcária em geral e mármores) têm um pH perto do neutro a tender para o alcalino, reagirão, certamente, na presença de um ácido, dissolvendo as ligações dos carbonatos de cálcio provocando um aceleramento na erosão da pedra, resultante na perda de brilho, amarelecimento e abertura de poros.

A limpeza não é - permitam-me a expressão – um estúpido agarrado a um balde e uma esfregona. Nunca o foi e esse mito advém de um preconceito social ancestral. Mais do que nunca, é preciso saber o que se está a fazer. Só dessa forma podemos garantir que a nossa intervenção não provocará mais danos que benefícios a médio e longo prazo. Um adequado plano de higienização prolongará a vida das superfícies, preservando-as, garantindo um ambiente saudável, e a saúde dos intervenientes.

Artigo compilado por Luís Manuel Pinto Jordão
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sexta-feira, 5 de julho de 2013

Hipoclorito de sódio e amónia - mistura EXPLOSIVA II


Amónia ou amoníaco

 

A amónia ou amoníaco (NH3) é uma molécula formada por um átomo de nitrogénio ligado a três de hidrogénio. É obtida por um processo famoso chamado Haber-Bosch que consiste em reagir nitrogénio e hidrogénio em quantidades estequiométricas em elevada temperatura e pressão. É o processo de obtenção de amónia mais utilizado hoje em dia. Esse processo leva o nome dos seus desenvolvedores Fritz Haber e Carl Bosch. À temperatura ambiente e pressão atmosférica, a amónia é um gás incolor, tóxico e corrosivo na presença de humidade, o que o torna altamente perigoso em caso de inalação. É também inflamável, de um odor muito irritante (em concentrações não muito elevadas, tem semelhança ao odor de urina) e solúvel em água. Transporta-se esse gás na sua forma liquefeita dentro de cilindros de aço sob muita pressão.

É utilizado em compostos de agentes refrigerantes, na preparação de fertilizantes como nitrato de amónia, superfosfatos e nitrogenantes que são soluções de amónia e nitrato de amónia, sais de amónia e ureia. Na indústria petroquímica este composto é utilizado como base para neutralizar ácidos provenientes do óleo cru (crude) a fim de proteger da corrosão os equipamentos pelos quais este óleo vai passar. Largamente utilizada para a extração de metais como cobre, níquel e molibdénio dos seus respetivos minérios.

Como já foi dito, a amónia pode ser um gás muito tóxico se inalado e/ou ingerido. Causando grande irritação nas vias respiratórias, boca, garganta e estômago. A inalação pode causar dificuldades respiratórias e inflamação aguda do sistema respiratório. Mas com a utilização de máscaras apropriadas para gases e atenção a qualquer vazamento, a amónia pode ser usada tranquilamente.

Outros nomes: Nitreto de Hidrogénio; Spirit of Hartshorn; Nitro-Sil; Vaporole

Características físico-químicas:

Características físico-químicas:

Fórmula molecular
NH3
Massa molecular
17.0306 g/mol
Aparência
Gás incolor com forte odor pungente
Densidade
0.6942; 0,639 kg·m−3 (líquido a 0 °C, 4,294 bar)
Ponto de fusão
−77,7 °C
Ponto de ebulição
−33 °C
Solubilidade em água
541 g·l−1 (20 °C)
Risco associado
Tóxico, cáustico, corrosivo
pH
11

Uso/aplicações:

Muito usado em ciclos de compressão (refrigeração) devido ao seu elevado calor de vaporização e temperatura crítica. Também é utilizado em processos de absorção em combinação com a água.

A amónia e seus derivados ureia, nitrato de amónio e outros são usados na agricultura como fertilizantes. Também é componente de vários produtos de limpeza. Outro produto importante derivado da amónia é o ácido nítrico.

Sal quaternário de amónia


 

Os catiões quaternários de amónia são iões poliatómicos carregados positivamente e com a estrutura NR4+, sendo R qualquer radical alquila. Ao contrário do próprio ião amónio NH4+ e dos catiões amónia primária, secundário e terciário, os catiões quaternários de amónia ficam carregados eletricamente de forma permanente, qualquer que seja o pH do meio. Os catiões quaternários de amónia são sintetizados através da alquilação completa da amónia ou outras aminas.

Os sais quaternários de amónia, sais de amónio quaternário ou compostos quaternários de amónio são sais de catiões quaternários de amónio com um anião. São usados como desinfetantes, surfatantes, amaciadores de tecido, agentes antiestáticos (ex.: em champôs e condicionadores de cabelos) e catalisadores de transferência de fase. Nos amaciadores de roupa líquidos, são geralmente usados os sais de cloreto (exemplos: cloreto de cetil dimetil amónio) ou os de sulfato de metila.

Compostos quaternários de amónia

Aplicação:

desinfetante de baixo nível muito utilizado como desinfetante de superfícies, no passado e ainda como antissético.

Ação:

desnaturação das proteínas celulares essenciais e rutura da membrana celular.

Espetro de ação:

fungicidas, bactericidas, algicidas e neutralizadores de vírus lipofílicos. Não são tuberculocidas ou agem contra vírus hidrofílicos.

Hoje existem algumas resistências ao seu uso por parte dos Serviços de Controlo de Infecção pela publicação de alguns artigos relatando a contaminação das soluções. Além disto, pela contra-indicação pelos Centros para controlo de doenças face à ocorrência de surtos relacionados com o seu uso como antissético.

Inativados por tensoativos, resíduos aniónicos e proteínas. Algumas formulações são inativadas por água dura.

Baixo nível de toxicidade direta, mas poluente ambiental.

Os compostos quaternários de amónia constituem um excelente sanitizante de áreas de processamento de alimentos, hospitalares e balneáreas. De custo baixo e sem grandes efeitos tóxicos constitui, no entanto, um risco ambiental considerável uma vez que a amónia é extremamente agressiva em meio húmido.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Hipoclorito de sódio e amónia - mistura EXPLOSIVA


É frequente a utilização de hipoclorito de sódio (vulgo lixívia) e amónia nas atividades de limpeza. Isolados ou misturados são dois compostos químicos geralmente utilizados incorreta e indiscriminadamente sem respeito pelos materiais de revestimento a higienizar, pelo ambiente e saúde pública. Existe o mito generalizado “cheira a lixívia, cheira a limpeza”. Este é um erro crasso de quem desconhece a limpeza na sua vertente profissional e as propriedades dos compostos químicos utilizados. Dadas as especificidades dos solutos de limpeza, dos materiais a limpar – cada vez mais diversificados – e da legislação em vigor que restringe ou impede a utilização destes compostos químicos, torna-se necessário que os profissionais de limpeza estejam cada vez mais informados sobre a sua atividade. O mesmo se aplica a proprietários, utentes de instalações, enfim, clientes para que possam ser cada vez mais exigentes fundamentados em conhecimento.

 
Hipoclorito de Sódio

O que é?

Solução aquosa alcalina com 10% de cloro ativo e cerca de 10-12g/l de hidróxido de sódio residual que não ocorre naturalmente no ambiente. É obtido através da reação do Cloro gasoso (Cl2) com uma solução aquosa de Hidróxido de Sódio.

Outros nomes:

Solução de Carrel-Dakin, Lixívia, Clorox, Cloro líquido

Características físico-químicas:


Fórmula Molecular
NaClO
Massa Molecular
74,45 g/mol
Cor
Amarelo-esverdeado
Odor
Odor picante, semelhante ao do cloro
Solubilidade em água a 20ºC
Solúvel
Ponto de ebulição
De 100 a 110ºC para soluções a 10% Cl2
Fotossensibilidade
Decompõe-se em presença de luz
Resistência à temperatura
Acima de 20ºC decompõe-se libertando oxigénio
Reação c/ substâncias ácidas
Violenta, libertando cloro
Inflamabilidade
Não inflamável
Risco associado
Corrosivo
pH
13

 
Uso/aplicações:

O Hipoclorito de Sódio é aplicado:

no branqueamento de celulose e têxteis;

no tratamento de águas – desinfeção, esterilização, ação algicida e desodorização de águas industriais, água potável e piscinas;

na tinturaria;

em produtos de limpeza;

na lavagem de frutas e legumes;

na produção de diversos produtos químicos tais como: oxidantes, branqueadores e desinfetantes

como solução de irrigação dentária

Aplicação:

quanto maior a concentração e/ou o tempo de contacto maior o espectro de ação, podendo ser utilizado como desinfetante de baixo a alto nível.

Espectro de ação:

tem um amplo espectro de ação, chegando a ter ação sobre esporos de Bacillus subtilis. Atua a concentrações tão baixas como 25 ppm para microrganismos mais sensíveis. Mais usualmente utilizada em concentração de 1000 ppm.

 (10ppm=1:5000; 50ppm=1:1000; 100ppm=1:500; 500ppm=1:100; 1000ppm=1:50; 5000ppm= 1:10)

 Características:

é o desinfetante mais amplamente utilizado. Apresenta ação rápida e baixo custo. Bastante instável e inativado por matéria orgânica;

é considerado como prejudicial ao ambiente.

 Compatibilidade com materiais:

 é bastante corrosivo, principalmente de metais e tecidos de algodão e sintéticos.

 Aplicação:

 dependerá da concentração. Basicamente utilizado em superfícies fixas. Embora possua algumas recomendações para materiais de terapia respiratória os resíduos de cloro, principalmente com o uso prolongado, impedem a sua utilização para estes fins. Altamente utilizado e recomendado para tratamento de tanques e tratamento de água.

 Ação do Hipoclorito de sódio:

0,15 a 0,25 ppm (0,000015%) elimina bactérias vegetativas em 30 segundos;

50 ppm (0,005%) elimina 105 de HIV, em 10 minutos, 25°C;


100 ppm (0,01%) elimina fungos em menos de 1 hora; elimina 107 de Staphylococcus aureus e Pseudomonas aeruginosa em menos de 10 minutos;

200 ppm (0,02%) elimina 25 tipos diferentes de virus em menos de 10 minutos;


500 ppm (0,05%) elimina 106 de HBV, em 10 minutos, 20°C.

Agora que já conhecemos um pouco melhor este composto e as suas propriedades devemos perceber onde deve ser aplicado e em que circunstâncias e onde não deve ser aplicado de todo.

Já percebemos que é um desinfetante de largo espetro e de baixo custo, no entanto é extremamente corrosivo para materiais, altamente tóxico e extremamente prejudicial para o meio ambiente. Quando utilizar, então? E como?

Nas limpezas em geral deve ser evitado o uso de hipoclorito de sódio. Em áreas onde a desinfeção deve ser feita, como áreas hospitalares, balneários e casas de banho ou unidades de processamento de alimentos deve ter-se particular atenção às diluições para evitar maiores danos que benefícios.

A desinfeção por rotina de superfícies não é aconselhada, pois altera o equilíbrio entre o meio ambiente e os microrganismos. De acordo com alguns estudos a higienização de superfícies seguindo a metodologia correta com água quente e detergente remove cerca de 80% a 85% dos microrganismos presentes. Com uma posterior aplicação de desinfetante a taxa de remoção sobe para 90% a 95%. No entanto, o tempo que uma superfície leva a voltar a ficar contaminada é o mesmo quer se tenha aplicado desinfetante ou não. Neste pressuposto é de considerar que a aplicação de desinfetante não é custo-efetiva. Além disso há que ponderar que a aplicação indiscriminada de desinfetantes gera outros problemas de poluição ambiental de importância acrescida para o equilíbrio do ambiente e saúde das populações. O seu uso incorreto pode ainda danificar algumas superfícies por corrosão ou abrasão de alguns materiais como os metais, ligas metálicas, pedra, entre outros. O uso de desinfetantes, nomeadamente hipoclorito de sódio, fica, assim, restrito a situações de derrames ou salpicos e com fortes restrições.
 
(continua)