domingo, 13 de janeiro de 2019

Deck: Madeira ou Compósito?


Um deck pode durar de 10 a 30 anos se feito em madeira não tratada, ou pode durar tanto como 50 anos se feito em madeira tratada ou em material compósito. É importante fazer uma escolha informada do material do seu deck antes de o instalar porque é um investimento a longo termo do qual desfrutará por décadas.
Tanto a madeira como o compósito estão disponíveis em alta e baixa qualidade, pelo que custo e qualidade não são indissociáveis. É de conhecimento geral que os materiais compósitos  necessitam menos manutenção, porém o seu custo é geralmente mais elevado. Requerem, no entanto, alguma manutenção e devem ser considerados outros fatores, também. Observemos algumas questões envolvidas na seleção do material adequado para o seu deck:



1- Deck em madeira
Muitas pessoas preferem madeira para o seu deck por causa do seu aspeto natural e quente. Sabe simplesmente bem!
Mas existe madeira e existe MADEIRA!  O tipo de madeira que escolhe para o deck é de importância crítica para a longevidade do mesmo.



Uma opção comum e barata é optar por madeira tratada. Estas madeiras são, geralmente, em abeto ou pinho embebido em agentes anti apodrecimento e inseticidas. A sua cor natural é de um castanho esverdeado que pode ser envernizado ou tingido por vários processos disponíveis no mercado. Existe, porém, uma razão porque esta é a solução menos dispendiosa para decking: é suscetível de empenar, rachar e estalar, portanto requer manutenção regular.



Se pretende optar mesmo pelo natural, opte por madeiras resistentes aos elementos tal como cedro (Cedrus) ou pau-brasil (Paubrasilia echinata). Estes tipos de decking têm um aspeto e toque muito atraentes e não empenam ou racham. O pau-brasil é mais dispendioso que o cedro e, regra geral, estes tipos de decking custam 3 ou 4 vezes mais que a madeira tratada.


Cedro rosa

Pau-brasil ou pau d'arco

Uma madeira extremamente cara usada em deck é o Ipê (Tabebuia), que é naturalmente resistente ao apodrecimento mas mais dura , logo, mais durável que o cedro e o pau-brasil. O Ipê pode custar tanto como 3 a 4 vezes o preço do Cedro ou Pau-brasil.


Ipê


2- Deck compósito
Os materiais compósitos têm vindo a ganhar mercado na área do decking. São compostos principalmente por uma mescla de plásticos reciclados e fibras de madeiras. Se por um lado deck construídos nestes materiais não têm um ar claramente "natural" e não terão a beleza potencial dos deck de madeira natural, por outro pode escolher-se de uma gama de cores que imitam as madeiras naturais, aproximando-se assim do ar "natural" desta. Além, disso, o constante aperfeiçoamento destes materiais têm-nos aproximado cada vez mais do aspeto e toque das madeiras naturais.


Gama de cores CDeck


O argumento que mais pesa na eleição destes decks é a sua baixa manutenção: não precisa ser lixado, acabado ou tingido - nunca! Além disso, tem normalmente garantia de 15 a 20 anos. A grande desvantagem - como seria de esperar - é o seu preço, que orça em média, o dobro do de madeira natural (excetuando as madeiras nobres), dependendo da qualidade e garantia.
Ainda assim, numa tentativa de equilibrar os preços, os decks compósitos dispõem de pranchas maciças e alveolares que devem ser intercaladas, ou não, dependendo da utilização mais ou menos intensa e do tipo de utilização.


Prancha maciça

Prancha alveolar

Os sarrafos (ou barras de suporte) são, também, adaptáveis, sendo em alumínio para áreas de maior pressão ou tensão e em material compósito para a generalidade das áreas.


Suporte de fixação

Manutenção do deck

Todos os deck, incluindo os compósitos, requerem alguma manutenção. Os deck de madeira natural são os mais exigentes, requerendo acabamento anual ou a cada dois anos, o que frequentemente implica lixar, a remoção do verniz ou velatura do ano anterior e, finalmente, a aplicação de novo acabamento. Se gosta do aspeto natural e não se importa ou tem disponibilidade ou verba para estas manutenções, vale definitivamente a pena.
A madeira tratada requer acabamento com um impermeabilizante ou tingimento numa base anual, o dobro da frequência das madeiras nobres.
Os materiais compósitos não necessitam qualquer acabamento, mas podem albergar algum bolor se não forem limpos em cada 3 ou 4 anos.
Deck de madeira ou compósito - ou algo diferente? Tal como toda a despesa relevante em casa, os materiais para deck variam em aspeto, durabilidade e custos. Comece por investigar para se tornar mais ou menos familiarizado com os vários tipos de deck autêntico ou artificial. Além disso, pode necessitar de usar alguns tipos de madeira ou compósito para aplicações estruturais do seu projeto, e outros para as superfícies ou balaustradas - as componentes sobre as quais andará e verá.

Esperamos ter ajudado.
Se tem uma área em casa ou logradouro que queira cobrir e embelezar, contacte-nos. Podemos ajudar!

Imagens de deck compósito cortesia da IHT: https://www.cdeck.pt/pt/deck-composito

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Como selecionar a melhor relva sintética para si


O preço não é o único fator a ponderar quando selecionamos um relvado sintético. Existem vários outros fatores que devem ser bem ponderados antes de decidir sobre que relvado adquirir que dure por muitos anos. Afinal de contas, um relvado sintético é um grande investimento. Aqui damos algumas dicas sobre o que ponderar antes de tomar uma decisão.

Tráfego/utilização
Com que intensidade será o seu relvado utilizado? Quantos pés ou patas irão talhar o seu caminho através da superfície diariamente? A utilização é seguramente um ponto importante a considerar. Se eleger um relvado que não esteja concebido para uso intenso de pessoas ou animais, o seu investimento pode sofrer desgaste muito rapidamente.


Se os seus filhos adoram brincar no exterior, e os seus animais necessitam de fazer a sua corrida ao sol várias vezes ao dia, escolha um relvado durável. Algo como qualquer relva das nossas gamas Premium Line ou Special Premium Line – veja aqui (link para http://mail6600.wix.com/bgreenjardins)

Não tenha receio de solicitar amostras, especialmente se está a comprar online. Vai querer testar o produto antes de se decidir pela instalação. É definitivamente um produto que vai querer ver e tocar antes de se decidir pala aquisição.

Comprimento da lâmina (altura da felpa)

Significa simplesmente uma medida do comprimento da lâmina desde a parte superior do baking até à extremidade superior do filamento. E sendo tentador selecionar uma lâmina longa, use cautela. Criam, de facto, um aspeto cheio e luxuriante no início. No entanto, com o tempo, tenderão a tombar, resultando num relvado plano e desprovido de beleza. Para levantar a felpa novamente requerirá algum tempo a varrer ou a aspirar. Para um toque e aspeto ótimo, o comprimento de lâmina recomendado é entre 30 a 37 mm. Esta seleção dá um ar natural ao relvado que parece fresco e tratado. Terá sempre de pentear as lâminas periodicamente, mas com menor intensidade que o faria com uma altura de felpa superior.
Peso e densidade

Ao selecionar uma relva sintética, densidade refere-se ao número de filamentos por metro quadrado. A relva sintética com uma densidade mais elevada é mais durável. São mais dispendiosas, também. Podem ser feitas algumas conceções se o preço é um fator preponderante e pode compensar com enchimento (infill) até um certo ponto. Na Blueish Green faremos tudo para que esteja seguro de que a sua relva se enquadre da melhor forma nas exigências de utilização e estéticas, levando em conta as limitações financeiras que possa ter.

Quanto ao peso, quanto mais alta a qualidade, mais a sua relva sintética pesará. É claro que isto é perfeitamente inconsequente numa instalação tradicional de paisagismo. No entanto, se pretende instalar um espaço verde num pátio de um condomínio, ou num bar numa cobertura de um edifício, deverá certificar-se qual a carga que a estrutura pode suportar para que possa instalar a relva mais adequada a esse tipo de utilização intensa.


Backing e infill

Ao selecionar a relva sintética, os tipos de infill variam. Frequentemente, a areia de silica é usada como parte do processo de instalação. Existem, porém, outros tipos de enchimento. O objetivo é manter o seu relvado elástico e resiliente. Aborde as opções com a empresa que procede à instalação para perceber o que funcionará melhor no seu caso.

Quanto ao backing utiliza-se poliuretano ou latex. Relvados revestidos com poliuretano não se expandem ou contraiem, o latex sim. Se vai instalar o seu relvado de reconhecida exposição solar, selecione um produto com backing de poliuretano . Isso garantirá que o seu relvado não sofrerá encolhimento ou dilatação, causando bolhas, ondas ou rasgões.


Côr

Este é um ponto importante. Pode ser tentador escolher uma relva que pareça realmente verde, no entanto, tenha em conta que uma vez instalada, essa relva poderá destacar-se em relação ao meio envolvente, provocando um desequilíbrio paisagístico, tornando-se o foco da área. Muitas destas relvas sintéticas muito verdes são produtos baratos e de baixa qualidade. Terá problemas de durabilidade. Portanto, será sempre preferível selecionar um produto que tenha vários tons de verde. Verde azeitona, verde escuro e verde lima misturados oferecem um aspeto mais natural e luxuriante. Procure relva que não seja totalmente uniforme. Isto somará à atratividade do relvado. Talvez seja boa ideia optar por um relvado que tenha uns pequenos apontamentos castanhos e/ou beijes pois fará o seu relvado parecer mais natural e pleno.

Manutenção

A regra base é, quanto mais cara a relva menos terá de gastar na manutenção. Recorde isso ao fazer a sua seleção. Pondere outros fatores, também. Por exemplo, se habita numa área onde o clima pode ser um fator, esta é uma consideração importante. Outro aspeto: onde está localizado o seu relvado? Existe a possibilidade de troncos e outros detritos de caírem sobre o relvado? E com que frequência? Inclua este factor na sua decisão. Estes detritos devem ser removidos e a relva deve ser durável o suficiente para o suportar.
Escolher uma relva sintética ao modo da Blueish Green

Ponderar todos estes fatores pode ser desafiante e desgastante. A Blueish Green está disponível para o auxiliar. Sabemos que eleger uma relva sintética é mais fácil dito que feito. Todas as considerações, tipos diferentes, preços, podem gerar confusão. Nós Podemos ajudar. Na Blueish Green, trabalhamos diariamente com relvas sintéticas. Contacte-nos para que possamos abordar as suas opções consigo. Juntos, chegaremos à melhor solução para o seu caso. O seu relvado será durável e terá um aspeto fantástico durante muitos anos. A melhor parte? Não haverão mais manutenções e o valor da sua propriedade disparará!

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Oxida!...Como remover a ferrugem sem danificar o aço.

Aplicações dos vários graus de aço inoxidável



Os aços ferríticos, dadas as suas propriedades, são muito utilizados nas seguintes aplicações: tanques de combustível, bancos de capacitadores, calhas, frisos, máquinas de lavar roupa, revestimento da câmara de combustão de motores diesel, equipamentos para a fabricação de ácido nítrico, fixadores, aquecedores, portas para cofres, moedas, pias e cubas, baixelas, utensílios domésticos, revestimentos de elevadores. 

Os aços martensíticos são utilizados na fabricação de cutelaria, instrumentos hospitalares, cirúrgicos e dentários, réguas, medidores, engrenagens, eixos, pinos, rolamentos de esferas, discos de travão.


Aços austeníticos têm uma vasta gama de aplicações desde a indústria de eletrodomésticos, automóvel, naval, essencialmente para aplicações de componentes estruturais onde a alta resistência térmica, à corrosão e estrutural são exigidas. 
Aplicação arquitectural no Largo do Martim Moniz

Os aços duplex são aplicados nas indústrias químicas de óleo, gás, papel e celulose, aplicado principalmente em evaporadores, dutos, unidades de dessalinização e dessulfuração, equipamentos de destilação, tanques de condução e armazenamento de material corrosivo.

Em suma, os aços inoxidáveis consistem numa liga de ferro e carbono que contém percentagens variráveis de outros metais que influenciam as suas propriedades e comportamento. É um material bastante resiliente usado numa vasta gama de produtos domésticos e industriais. É resistente à corrosão em variados graus e ao embaçamento graças ao filme de óxido de cromo na sua superfície. Se este filme de cromo é removido, o utensílio começará a oxidar. É, também, utilizado numa vasta gama de aplicações arquiteturais graças à sua grande resistência à corrosão que pode ser originada pelas variações nas condições atmosféricas.
Tachos e panelas de aço inoxidável são facilmente mantidos e mantêm-se sempre com aspeto agradável. 

No entanto, condições ambientais ou casuais, como a presença de um ambiente húmido por períodos prolongados ou a utilização de produtos agresivos que possam danificar o aço (por exemplo, produtos químicos que contenham cloro na sua formulação) podem originar o aparecimento de pontos de oxidação.

Existem no mercado alguns produtos químicos para recuperação de aços inoxidáveis que removem os pontos de oxidação. Estes são muito eficazes, por natureza, agressivos para o ambiente  e nem sempre muito acessíveis às bolsas.

Antes do recurso a soluções profissionais e dispendiosas podemos utilizar algumas fórmulas simples, fáceis de produzir em ambiente caseiro e de pegada ambiental quase nula. Acima de tudo, económicas! Vejamos:
1
Misture uma colher de mesa de bicarbonato de sódio com duas chávenas de água. Esfregue a solução nas nódoas de oxidação com o auxílio de uma escova de nylon. O bicarbonato de sódio não é abrasivo e removerá de forma suave a ferrugem presente no aço sem danificar o grão. Por fim, enxague e seque as áreas intervencionadas com papel de cozinha. Poderá observar os pigmentos de ferrugem no papel. 

2
Derrame uma quantia generosa de vinagre branco num esfregão não-abrasivo (branco ou rosa) e esfregue a área afetada com pontos de ferrugem no sentido do grão do aço. 

3
Faça uma pasta com partes iguais de sumo de limão e bicarbonato de sódio e esfregue a área afetada com uma esponja húmida. Se as manchas forem persistentes, deixe a pasta repousar por 15 a 30 minutos sobre a ferrugem e remova com a esponja. Enxague no final.

4
Esfregue pegas de panelas com um pano embebido em gasosa. As bebidas gasosas contêm ácido cítrico, que consiste num anti-oxidante. Enxague no final.

5
Se tudo o resto falhar, tente derramar um pouco de fluido de isqueiro num pano limpo e esfregue as manchas até saírem. Não esqueça que o fluido de isqueiro é altamente inflamável e volátil, tóxico e nefasto para o ambiente. Esta é uma solução de último recurso e nunca perto de chamas e, de preferência, num espaço ventilado. Lave e enxague no final. 

6
Se tiver mesmo de recorrer a uma solução profissional pode pesquisar na internet por solutos que removam ferrugem. Acautele-se que sejam adequados para aço inoxidável. Neste caso, leia muito bem as instruções da embalagem e use as proteções recomendadas. Tenha ainda cuidado com os restantes materiais que possam ser salpicados com esses produtos, protegendo-os ou removendo de imediato o salpico ou derrame e enxaguar sempre com água abundante. 

Num instante verá o seu lava-loiças, panela ou tacho, balcão reluzir novamente. Em geral, a película de óxido de cromo restaura-se a si própria pela reação que já abordámos anteriormente, garantindo a manutenção dos seus equipamentos como novos. 

Eis, ainda, algumas dicas sobre o que não fazer sobre as suas superfícies em aço inoxidável: 

Nunca utiliza abrasivos (esfregões) para limpar o aço inoxidável pois removem o filme de óxido de cromo e riscam a superfície.

Nunca esqueça de enxaguar. Água com resíduos sólidos em suspensão pode deixar um sedimento sobre a a superfície, manchando ou picando a superfície. Garanta um bom enxaguamento. Da mesma forma, vestígios de soluções de limpeza deixadas em repouso sobre o aço podem manchar ou danificar o inoxidável. O enxaguamento é o ponto-chave da limpeza de superfícies em aço inoxidável. Utilize panos de microfibra pois têm uma boa ação sequestrante de resíduos.

Não utilize solutos de limpeza que contenham cloro. Embora possa ser tão natural limpar tudo com lixívia, o óxido de cromo e o cloro têm uma relação muito difícil! Se pretende desinfetar, prefira desinfetantes à base de quaternários de amónio. Se acidentalmente utilizar uma solução que contenha cloro, enxague imediatamente e com água abundante. Termine com pano seco. Se a área estiver exposta à luz solar direta, deixe quew esta incida sobre a superfície pois o clor, sendo um gás, evapora por ação dos ultra-violeta.

Não utiliza esfregão, lã ou escova de aço. Estes abrasivos deixam pequenas partículas na superfície do aço que inevitavelmente iniciarão um processo de oxidação e mancham.  

Este artigo foi elaborado pela RL SGL para seu benefício e ajudar na compreensão da natureza dos materiais que compõem os objetos e utensílios que utilizamos no nosso quotidiano. Compreender o mundo que nos rodeia é um bom auxiliar na manutenção de comportamentos saudáveis e amigos do ambiente.

Para qualquer sugestão ou dúvida, contacte-nos: mail@rljordaodomain.com
Se pretender uma intervenção profissional, ligue: 933607579




terça-feira, 14 de abril de 2015

O aço inoxidável é oxidável?

Este mês, embora com considerável atraso, resolvemos abordar um assunto que, de uma forma ou de outra, nos toca a todos profissionalmente ou não. A proliferação de aço inoxidável em aplicações domésticas e industriais é uma evidencia que não pode ser negada. Porém, quando a ponta de oxidação começa a aparecer - e aparece sempre - colocamos as mãos na cabeça pensando que comprámos gato por lebre. 

De facto, a a designação inoxidável é uma liberdade de expressão uma vez que o aço é oxidável. Demora é mais tempo a oxidar pois um (ou mais) elemento fundamental da liga, o cromo, é o grande responsável pelo aspecto brilhante aparentemente eterno do inox. 

Mas descanse o leitor pois no aço inoxidável a oxidação é quase sempre um processo reversível. Já iremos ver porquê. Antes, vamos fazer uma pequena abordagem à família dos aços para comerçarmos a perceber um pouco melhor que material é este. 


O que é o aço inoxidável?

O aço inoxidável foi descoberto por Harry Brearley (1871-1948), que começou a trabalhar como operário numa produtora de aço com a idade de 12 anos, na sua terra natal, Sheffield (Reino Unido). 
Em 1912, Harry começou a investigar, a pedido dos fabricantes de armas, uma liga metálica que  apresentasse uma reistência maior ao desgaste que ocorria no interior dos canos das armas de fogo em resultado do calor libertado pelos gases da combustão.
De início a sua pesquisa consistia em investigar uma liga que apresentasse uma maior resistência à corrosão. Porém, ao realizar o ataque químico para revelar a microestrutura desses novos aços com altos teores de cromo que pesquisava, Brearley notou que o ácido nítrico - um reativo comum para os aços - não surtia qualquer efeito.
Brearley não obteve uma liga metálica com maior resistência ao desgaste, mas uma liga metálica resistente à corrosão. A aplicação imediata foi destinada à fabricação de talheres, que até então, eram fabricados a partir de aço carbono que corroíam com facilidade devido aos ácidos presentes nos alimentos.

Aço inoxidável é o termo utilizado para descrever uma família muito versátil de materiais concebidos por meio de engenharia, que são primariamente selecionados pelas suas propriedades de resistência à oxidação e ao calor. 
Todos os aços inoxidáveis contêm primariamente ferro e um mínimo de 10,5% de cromo. A este nível, o cromo reage com o oxigénio e a humidade no ambiente para formar um filme coerente, aderente e protetor de óxido que envolve a superfície total do material. Este filme de óxido (designado por camada passiva ou limite) é muito fino (2-3 nanómetros). 
A camada passiva no aço inoxidável detém uma propriedade notável: quando é danificada (por exemplo, por abrasão), repara-se a si mesma uma vez que o cromo presente no aço reage rapidamente com o oxigénio e a humidade ambiental para restaurar a camada de óxido.
Aumentar o conteúdo de cromo para além do mínimo de 10,5% confere ainda maior resistência à corrosão. Esta resistência à corrosão pode ser ainda incrementada, e uma larga gama de outrtas propriedades, com a adição de 8% dse níquel. A adição de molibdénio reforça ainda mais a resistência à corrosão (em particular a resistência à corrosão por pontos), enquanto a adição de nitrogénio aumenta a força mecânica e amplifica a resistência à corrosão por pontos. 


 Categorias de aço inoxidável

A árvore da família do aço inoxidável tem vários ramos, que podem ser diferenciados por uma variedade de formas, por exemplo, em termos de áreas de aplicação, pelos elementos que constituem a liga usada na sua produção, ou, talvez a forma mais precisa, pelas fases metalúrgicas presentes nas suas estruturas microscópicas:

Assim, temos aços

Ferríticos

Martensíticos

Austeníticos 

Duplex (que consistem numa mistura de ferrite e austenite)

Dentro de cada um destes grupos, existem vários "graus" de aço inoxidável definidos de acordo com as gamas de composição das ligas. Estas gamas composicionais estão definidas em padrões europeus (e outros, por exemplo, EUA), e dentro da gama especificada, o grau de aço inoxidável evidenciará todas as propriedades adequadas (resistência à corrosão e/ou resistência ao calor e/ou ductilidade).

Aços ferríticos (graus 409 e 430, por exemplo) consistem em cromo (tipicamente 12,5€ ou 17% e ferro. Os aços ferríticos são essencialmente isentos de níquel. Estes aços contêm muito pouco carbono e não são tratáveis por calor, mas exibem uma resistência à corrosão superior aos aços martensíticos e possuem boa resistência à oxidação. São ferromagnéticos e, embora sujeitos a uma transição de impacto (tornar-se quebradiço) a baixas temperaturas, possuem ductilidade adequada. 
As suas propriedades de expansão térmica são similares às dos aços convencionais. Os aços  inoxidáveis ferríticos são facilmente soldáveis em secções finas, mas sofrem crescimento granular com consequente perda de propriedades quando soldados em secções mais espessas. 

Aços martensíticos (por exemplo, grau 420) são compostos por carbono (0,2 - 1,0%), cromo (10,5 - 18%) e ferro. Estes materiais podem ser tratados por calor, de forma similar à dos aços convencionais, para providenciar uma gama de propriedades mecânicas, mas oferecem maior capacidade de endurecimento e têm temperaturas diferentes de tratamento. 
A sua resistência à corrosão pode ser descrita como moderada (isto é, o seu desempenho face à corrosão é mais fraca que a dos outros aços inoxidáveis com proporções similares de cromo na liga). São ferromagnéticos, sujeitos a uma transição de impacto a baixas temperaturas e têm pouca ductilidade. A sua expansão térmica e outras propriedades térmicas são similares às dos aços convencionais. Podem ser soldados com cautela, mas podem abrir fendas quando são usados metais de enchimento correspondentes.

Aços austeníticos (por exemplo, graus 301, 304 e 316) consistem em cromo (16 - 26%), níquel (6 - 12%) e ferro. Outros elementos de liga (por exemplo, molibdénio) podem ser adicionados ou modificados de acordo com as propriedades desejáveis para a produção de graus derivados definidos nos standards (ex: 316). O grupo austenítico contém mais graus, usados em grandes quantidades, que qualquer outra categoria de aço inoxidável. Os aços austeníticos detêm maior resistência à corrosão que os dos grupos ferrítico e martensítico. O desempenho contra a corrosão pode ser adaptado a uma larga variedade de ambientes. Por cuidadoso ajustamento da liga, como a variação do conteúdo de carbono e molibdénio.
Estes materiais não podem ser endurecidos por tratamento a quente e reforçados por encruamento. Ao contrário dos aços ferríticos e martensíticos, os graus austeníticos não exibem ponto de rendimento. Oferecem excelente ductilidade e a sua resposta à deformação pode ser controlada pela composição química. Não estão sujeitos a uma transição de impacto a baixas temperaturas e possuem uma lata resistência a temperaturas criogénicas.
Exibem maior expansão térmica e resistência ao calor, com condutividade térmica baixa que outros aços inoxidáveis e convencionais. 
São facilmente soldáveis, mas torna-se necessária atenção especial aos consumíveis e processos para as ligas mais complexas. Os aços austeníticos são frequentemente descritos como não magnétcios, mas podem tornar-se ligeiramente magnéticos quando trabalhados mecanicamente. 

Aços duplex (por exemplo, grau S31803) consistem em cromo (18 - 26%), níquel (4 - 7%), molibdénio (0 - 4%), cobre e ferro. Estes aços têm uma microestrutura que consiste em austenite e ferrite, que proporciona uma combinação de resistência à corrosão dos aços austeníticos com uma maior resistência. Estes aços são soldáveis, mas deve ter-se em atenção a manutenção do equilíbrio  correto de austenite e ferrite. São ferromagnéticos e sujeitos a transição de impacto a baixas temperaturas. A sua expansão térmica situa-se entre a dos açosausteníticos e a dos ferríticos, enquanto outras propriedades são similares às dos aços carbónicos comuns. A ductilidade é razoável, mas requer a aplicação de forças superiores às dos aços austeníticos. 

Efeitos dos elementos de liga nas propriedades da estrutura molecular

Cromo
O cromo é o elemento de liga mais importante na produção do aço inoxidável. É necessário um mínimo de 10,5% deste metal par a formação de uma camada protetora de óxido de cromo na superfície do aço. A força desta camada (passiva) protetora aumenta com o acréscimo de cromo na liga. O cromo causa a formação de ferrite na estrutura da liga e é descrito como estabilixador de ferrite.

Níquel
O níquel melhora a resistência à corrosão em geral e origina a formação de austenite, ou seja, é um estabilizador de austenite. Aços inoxidáveis com 8 - 9% de níquel têm uma estrutura austenítica total e demonstram melhores características para a soldadura e trabalho mecânico que os aços ferríticos.O aumento do conteúdo de níquel na liga acima de 8 - 9% amplifica a resistência à corrosão (especialmente em ambientes ácidos) e a ductilidade. 

Molibdénio (e tungsténio)
O molibdénio aumenta a resistência à corrosão local (por pontos, por fendas, etc.) e geral. O molibdénio e o tungsténio são estabilizadores de ferrite, os quais, quando usados em aços austeníticos, devem estar compensados com estabilizadores de austenite para manter a estrutura de austenite. O molibdénio é adicionado aos aços martensíticos para incrementar a resistência à temperatura. 

Nitrogénio
O nitrogénio aumenta a força e amplifica a resistência à corrosão localizada. É um formador de austenite.

Cobre
O cobre aumenta a resistência geral a ácidos e reduz o índice de endurecimento a calor (é usado em produtos a frio como pregos e parafusos). É um estabilizador de austenite.

Carbono
O carbono aumenta a força (especialmente em aços inoxidáveis martensíticos endurecíveis), mas pode ter um efeito adverso na resistência à corrosão pela formação de carbonetos de cromo. É um estabilizador de austenite. 

Titânio (e nióbio e zircónio) 
Onde não é desejável ou possível controlar os níveis baixos de carbono, o titânio ou o nióbio podem ser usados para estabilizar o aço contra a corrosão intergranular. Como o titânio (nióbio e zircónio) tem maior afinidade com o carbono que o cromo, dá-se a formação de carbonetos de titânio (nióbio ou zircónio) preferencial à formação de carbonetos de cromo e, assim, previne-se a depleção de cromo. Estes elementos são estabilizadores de ferrite.

Enxofre
O enxofre é adicionado para melhortar a maelabilidade dos aços inoxidáveis. Em consequência, os aços com enxofre demonstram resistência à corrosão reduzida.

Cério
O cério, um metal terroso raro, aumenta a adesão do filme de óxido a altas temperaturas. 

Manganês
O manganês é um formador de austenite, que aumenta a solubilidade do nitrogénio no aço e pode ser usado em substituição do níquel em graus com nitrogénio.

Silício
O silício melhora a resistência à oxidação e é também usado em aços especiais expostos a ácidos sulfúricos ou nítricos de alta concentração. o silício é um estabilizador de ferrite. 

Continua...saiba em que se aplicam os vários graus da família dos aços inoxidáveis e como pode remover facilmente aquelas inestéticos pontos de ferrugem sem danificar o aço inoxidável. Leia o post de abril. 



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Porque hidrofugar o seu pavimento.

Os pavimentos em rocha ornamental adicionam estilo e elegância à sua casa, mas é essencial uma manutenção adequada para garantir a sua longevidade. Causticação, nódoas, sulcos e arranhões são evitáveis se for tomado cuidado adicional e proteger o pavimento dos seus convidados, animais domésticos e dos elementos. Eis a lista das seis coisas mais importantes de evitar para preservar pavimentos em pedra natural:
. deixar gelo, neve e lama secar no pavimento
. utilizar substâncias ácidas (pH 0 – 6) para limpar o pavimento
. deixar copos sobre os tampos de mesas e balcões sem uma base apropriada
. usar cadeiras sem proteções em feltro
. deixar animais domésticos (sobretudo jovens) permanecer sem vigilância.
. deixar sacos de lixo a repousar sobre o pavimento.

Por muito cuidado que se tenha os acidentes acontecem e são inevitáveis, e nessa altura é necessário saber o que fazer. Todos os derrames ou resíduos provenientes de qualquer origem nunca devem permanecer sobre o pavimento. Porquê?








Em primeiro lugar a maioria dos pavimentos em pedra natural, em cerâmica - terracota, por exemplo - e mosaico hidráulico, não são previamente tratados com hidrofugantes e óleo repelentes antes e depois do assentamento. Porque é que isso acontece é tema para outro artigo. Por hora partamos desse princípio.
Existem duas formas básicas de verificar se uma pedra foi ou não hidrofugada:

1- por observação:
perceber se foi aplicado algum tratamento com película, isto é, se a pedra foi revestida com um hidrofugante superficial ou impregnante com película de acabamento. Existem centenas de tratamentos hidrofugantes no mercado destinados aos fins mais variados e a materiais distintos. No entanto, torna-se frequentemente difícil perceber a olho nu se a pedra está ou não hidrofugada. Quando assim é, usa-se o segundo processo complementar;

2- teste de água:
Derramam-se algumas gotas de água sobre o pavimento e observa-se o seu comportamento. Se as gotas se mantiverem coesas sem irradiar o pavimento está, certamente, hidrofugado
(veja imagens); se irradiarem pode ainda estar presente um hidrofugante. Aguarda-se cerca de 1 a dois minutos e remove-se as gotas com um pano seco ou papel absorvente. Esperar mais um minuto ou dois. Se persistir uma mancha mais escura no local da gota é porque houve infiltração da água nos poros e capilares da pedra. O pavimento não está hidrofugado.


Pode fazer-se o mesmo teste (2) para o óleo repelente. Seleciona-se um canto ou uma área de pouca visibilidade e derrama-se um pouco de azeite. Aguarda-se e remove-se com papel absorvente. Se ficou mancha é porque não está presente o óleo repelente.



Quando se deve optar por um selante óleo repelente? E pode ser usado em combinação com um hidrofugante?
Os óleo repelentes devem ser aplicados em áreas sujeitas a derrames de resíduos impregnados com gorduras e solutos com alguma viscosidade. Por exemplo, nas cozinhas, nas áreas de churrasco, nas salas de jantar. O óleo repelente não estanca totalmente a pedra à água, mais fluida. Portanto, a combinação de um óleo repelente com um hidrofugante é sempre recomendada. Existem no mercado soluções que garantem ambos os tratamentos com um único soluto de tratamento. Consulte-nos!

Há ainda outro fator de importância vital que não deve ser negligenciado: todas as rochas são porosas, sem exceção. O grau de porosidade depende da origem da rocha – sedimentar, metamórfica ou vulcânica – e da sua estrutura molecular e do processo de formação, isto é dos minerais que a constituem e a forma como se dá a sua consolidação. As pedras sedimentares ( tipo pedra calcária ou arenito) são as mais sensíveis a infiltrações  dada a sua constituição e processo de formação (vide os artigos sobre rocha no menu Serviços e soluções – Dicas Úteis).

Este tipo de rocha no exterior está permanentemente exposta aos elementos e esporos de fungos e algas que se podem fixar nos seus poros e dar origem a fungos, limos e líquenes. A rocha exposta a estes contaminantes por períodos longos escurece e acelera o processo erosivo.





No interior, dependendo dos processos de lavagem, os quais se fundamentam na presença de água, e do arejamento dos locais, estas rochas estão sujeitas a infiltrações que irão permanecer por períodos mais ou menos longos. Como é sabido, as águas estagnadas proporcionam um excelente ambiente para a proliferação bacteriana e fungos. O resultado é o escurecimento dos poros e a decomposição acelerada da rocha resultando na ampliação dos poros existentes e geração de novos.


A presença continuada de infiltrações de águas na rocha tem, também, outra implicação muito frequente: as rochas e as massas e cimentos utilizados na construção civil têm sempre a presença de sais, geralmente de origem alcalina - compostos por sulfatos e carbonatos de sódio, potássio, cálcio, magnésio e alumínio -  que tendem a eflorescer, transportados pelas águas através dos capilares. Estes sais em contacto com o oxigénio e pela evaporação da água cristalizam. Os mais vulgares são designados por salitre e toda a gente já teve esse problema em casa. Os efeitos do salitre é a decomposição molecular da rocha, desintegrando-a em pó. É sabido como se dá a sedimentação da rocha na natureza. Em áreas geográficas onde existe a  presença de chuva e temperaturas muito baixas a água infiltrada congela e expande, criando pressões internas na rocha que eventualmente resultam na sedimentação. O processo com os sais eflorescentes é fundamentalmente o mesmo.




Em conclusão, a hidrofugação e tratamento óleo repelente é um “must” em qualquer pavimento, parede, tampo ou balcão que possa estar sujeito a este tipo de agressões. Por muitos cuidados que se tenham existe sempre um descuido e o acidente acontece. E abordamos materiais que têm uma presença prolongada nas nossas vidas!
O primeiro passo para proteger a pedra do seu pavimento ou parede, tampo ou balcão, de contaminantes por penetração é a hidrofugação. Evitar a penetração dos contaminantes na estrutura da pedra é o passo mais importante pois, na maioria dos casos a penetração é significativa porque não é logo detetada, revelando-se os seus efeitos por vezes meses depois de ser iniciado o processo de infiltração. E não existe removedor de manchas que consiga eliminar totalmente as nódoas resultantes, muito menos se torna possível a reestruturação molecular da rocha.



O tipo de acabamento e de hidrofugante, a melhor seleção são opções para as quais existem os profissionais. Consulte-nos. Se a pedra está danificada, ou é nova ou está ainda por assentar, é melhor hidrofugar. A prevenção é sempre a melhor política e coloca-nos dinheiro no bolso ao evitar intervenções onerosas de restauro ou pura e simplesmente a substituição de todo o material por novo.



Temos um leque de soluções aplicáveis a todo o tipo de rocha e às várias situações que possa ter. Exterior, interior, com muito tráfego, em casa-de-banho, cozinha, etc.