Parte 1
Porosidade e tratamento
Um dos problemas que nos são colocados com frequência prende-se com as manchas que vão aparecendo na pedra natural e nos materiais cimentícios. Neste artigo abordaremos esta problemática, apontando soluções que podem ser usadas em casa. Mas primeiro vamos tentar perceber porque mancham as pedras naturais.
Porque mancham as pedras naturais
Tipos de rochas
No artigo anterior mencionámos o ciclo da formação das rochas. Antes de continuar, talvez fosse boa ideia ler esse artigo para melhor compreender o que iremos falar em seguida. Em suma, as rochas naturais formam-se por meios vulcânicos, por metamorfose e por sedimentação. No primeiro caso, o magma expelido ou no interior de bolsas na crosta terrestre ou do manto arrefece com maior ou menor velocidade dependendo da sua exposição aos elementos. Os minerais que a constituem consistem em corpos naturais sólidos e cristalinos formados em resultado da interação de processos físico-químicos nestes ambientes geológicos.
Cada mineral é classificado e denominado não apenas com base na sua composição química, mas também na estrutura cristalina dos materiais que o compõem. Em resultado dessa distinção, materiais com a mesma composição química podem constituir minerais totalmente distintos em resultado de meras diferenças estruturais na forma como os seus átomos ou moléculas se arranjam espacialmente como, por exemplo, o carbono e o diamante. Resumindo, e em linguagem mais compreensível: minerais são cristais, sejam eles sais ou silicatos, elemento principal da constituição das rochas naturais.
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Geod de ametista |
O arrefecimento lento no interior da crosta terrestre produz cristais de maior dimensão, porque o realinhamento molecular dá-se de forma mais lenta. Na imagem podemos observar um geod. Geod é uma rocha em forma de bolha. No seu interior ficaram aprisionados gases quentes originados por atividade vulcânica ou magmática. O arrefecimento lento no interior do magma percutiu a produção de cristais de grande dimensão;
o arrefecimento mais rápido no exterior produz uma cristalização de menor dimensão pois esses realinhamentos não têm tempo de se dar. É o caso da maioria dos granitos. Mesmo nestes é possível discernir granulometrias cristalinas muito distintas.
As rochas metamórficas resultam das mutações e realinhamentos dos cristalinos em resultado de pressões e temperaturas elevadas no interior da crosta. Os mármores e os xistos são rochas metamórficas, as primeiras de composição complexa variável, a segunda de mono mineral, resultando em alinhamentos diferenciados das moléculas ou cristais no primeiro caso e alinhamento unidirecional no segundo.


No xisto a sua aparência sugere um linhamento unidirecional dos cristais.
As rochas sedimentares são formadas por processos de litificação, resultam de depósitos massivos de sedimentos minerais e orgânicos (cálcio) no fundo de lagos ou oceanos que com a pressão e as movimentações da crosta vão consolidando, formando uma rocha.
Todas as rochas destes três grandes grupos têm graus diferentes de porosidade.
Porosidade

Em suma, porosidade refere-se aos espaços vazios em superfícies. A porosidade pode ser medida de várias formas, e pode ser expressa como uma percentagem ou como uma fração entre 0 e 1. Alguns tipos de pedra natural são mais porosos que outros. Por exemplo, a pedra calcária é muito porosa quando comparada com a quartzite, e o granito é menos poroso que o mármore. Para entender melhor a porosidade natural do granito é útil compreender o seguinte:
1-Granito é uma rocha vulcânica
A composição base do granito inclui quartzo, mica e feldspato, entre outros minerais em menor escala. No seio da crosta Terrestre, o granito forma-se a grandes profundidades sob as camadas sedimentares, mas ascende eventualmente para perto da superfície e pode ser extraído em pedreiras em regiões montanhosas que são orogénicas por natureza, ou seja estão muito acima do leito marítimo. O granito é também metamórfico, o que significa que passa por alterações causadas por reações químicas que estão na génese da sua ascensão à superfície através de fendas na crosta antes dos processos de assentamento e posicionamento. Todas as rochas vulcânicas (também designadas por: ígneas ou magmáticas) são porosas e o granito não constitui exceção.
2-O granito é menos poroso que o mármore
Cada poro na superfície de lajes de granito é considerado um vazio microscópico. A dimensão destes ínfimos veios, em conjunto com a sua contagem por área de superfície, determina o nível de porosidade. Como mencionado acima, o granito é de origem vulcânica, o que faz com que seja menos poroso que rochas sedimentares, como a pedra calcária, o travertino, o moleanos, etc… No caso do mármore, que é metamórfico bem como sedimentário, a porosidade pode ser significativamente mais alta por comparação com o granito, num rácio de até 2%. A maioria dos blocos de granito apresentam rácios de porosidade entre 0,4 a 1,5 porcento.
3- As rochas sedimentares são as mais porosas
afirmação está na formação do granito. De facto, o mármore é formado a partir de rocha sedimentar que, pela movimentação das placas tectónicas, penetra na crosta terrestre (subdução) a grandes profundidades e, pela sujeição a pressões intensas e temperaturas elevadas, sofre uma redistribuição e combinação dos cristais originando uma rocha nova, que pelos mesmos processos, mas no sentido ascendente, aflora à superfície ou perto dela e pode ser extraída em pedreiras.
Feita esta explicação, vejamos como se formam as rochas sedimentares (ou detríticas): em geral são formadas por deposição de detritos e sedimentos provenientes da erosão de rochas-mãe e detritos orgânicos, cascas de bivalves entre outros animais com exoesqueleto, e cianobactérias, que são arrastados por força de correntes fluviais, por glaciares ou correntes marítimas para áreas de maior profundidade do leito fluvial ou marítimo, em geral coincidentes com as limites das placas tectónicas. Esta deposição continuada ao longo de milhões de anos forma mantos de grande espessura que se vão consolidando por um fenómeno designado de litificação.
Estas rochas são constituídas por vários elementos:
os balastros: detritos de maior dimensão que podem ser seixos, por exemplo;
areias: detritos de menor dimensão, provenientes de erosão de elementos maiores como os balastros, por exemplo;
siltes: partículas de dimensão diminuta (entre 1/16 e 1/256 mm);
argilas: materiais de dimensões reduzidas (inferiores a 1/256 mm), finos e pulverulentos, onde predominam os chamados minerais de argila.
As diversas combinações destes materiais determinam o tipo de rocha, a sua porosidade e aspeto.
4-Rochas calcárias
Os calcários, na maioria das vezes, são formados pela acumulação de organismos inferiores (por exemplo, cianobactérias) ou precipitação de carbonato de cálcio na forma de bicarbonato, principalmente em meio marinho. Também podem ser encontrados em rios, lagos e no subsolo (cavernas).
No caso do calcário quimiogénico, a formação é em meio marinho: a calcite (CaCO3), é um mineral que se pode formar a partir de sedimentos químicos, nomeadamente iões de cálcio e bicarbonato. Isto acontece quando os meios marinhos sofrem perda de dióxido de carbono (devido a forte ondulação, ao aumento da temperatura ou à diminuição da pressão). Deste modo, para que os níveis de dióxido de carbono que se perdeu sejam repostos, o equilíbrio químico passa a tender no sentido de formação de CO2, o que leva a formação de calcite e precipitação desta que, mais tarde, depois de intensa deposição e de diagénese dá origem ao calcário.
A porosidade deste tipo de rochas varia entre os 3 a 7 porcento da sua superfície.
Muito mais haveria a dizer sobre a porosidade das rochas. Porém, foge do âmbito deste artigo. Para que fique uma ideia da porosidade das diversas rochas vejamos a seguinte tabela:
Outro conceito que é útil compreender no âmbito deste artigo é a permeabilidade das rochas. Podendo aparentemente parecer semelhante à porosidade, há uma distinção:
Permeabilidade é um conceito relacionado com a porosidade, mas não é a mesma coisa. Permeabilidade é a capacidade que um dado material tem para transmitir fluidos. Os fluidos são transmitidos por poros e capilaridades, neste caso da rocha.
Portanto, se um material é poroso e permeável, tem maior capacidade de absorver líquidos que outros materiais. Isto pode ser bom para a pedra em alguns aspetos: os pequenos poros são excelentes na filtração da água! Mas não é bom quando o tampo da bancada da sua cozinha ou o seu pavimento está a absorver água e líquidos acídicos, que podem enfraquecer ou dissolver a pedra em questão e originar fragmentação ou quebra! Já para não falar nas terríveis manchas resultantes!
Como vimos, o granito é muito
pouco poroso (ver tabela acima) quando comparado com outros materiais, no
entanto tem porosidade suficiente para absorver líquidos. As pedras calcárias e
arenitos são altamente porosos e absorvem líquidos com grande rapidez, e são muito fáceis de riscar e de desgastar em contacto com ácidos. O mármore é,
também, bastante poroso, embora menos que as pedras sedimentares. As manchas
são um grande problema a enfrentar nestes materiais, especialmente resultantes
de líquidos com pigmento, como os vinhos tintos. Uma grande mancha vermelha é algo
que pretenderá seguramente evitar no seu pavimento ou tampo de mármore branco!
Proteger os poros e capilaridades
Como proteger pavimentos, tampos e capeamentos? Usando hidrofugantes. Noutro artigo já abordámos esta temática. Fica claro que é primordial a hidrofugação de tampos e lajes de pedra natural para que os poros sejam fechados, criando uma barreira que previne a absorção de líquidos e partículas de alimentos, bem como de manchas e de riscos e sulcos. Existem muitos hidrofugantes disponíveis no Mercado, mas todos se enquadram em duas categorias:
Hidrofugantes tópicos:
-Assentam na superfície de contacto da pedra, prevenindo a penetração de líquidos e partículas de alimentos.
-Imprimem, em geral, brilho, com maior ou menor intensidade e podem alterar a cor da pedra ou escurecer.
-Previnem os riscos na superfície da pedra, no entanto os hidrofugantes suportam todos estes danos. O tratamento pode ser recuperado pela decapagem e nova aplicação. Previnem as manchas e nódoas.
-Podem prender humidade no seio da pedra, pois este tipo de hidrofugantes não permite a transpiração.
-Desgaste rápido, dependendo da intensidade e tipo de tráfego na superfície. Podem ter de ser reforçados cada 6 meses a 1 ano.
-São mais adequados para pedras porosas e moles tipo calcários e arenitos.
Hidrofugantes impregnantes:
-Penetram na estrutura da pedra e preenchem os poros no interior da pedra.
-Previnem a penetração de líquidos e a sua absorção para o interior da pedra.
-Não afetam a cor da pedra.
-Não protegem a superfície de contacto de riscos e sulcos.
-Não aprisionam a humidade no interior da pedra, permitem a “transpiração” da pedra.
-Em geral, mais dispendiosos que os tópicos.
-Formam uma ligação química mais ou menos permanente com a pedra que pode durar por anos. Não necessitam ser aplicados com frequência, principalmente os de base em silicatos.
Hidrofugantes tópicos e impregnantes podem ser usados em combinação, embora seja importante reforçar que os hidrofugantes tópicos têm de ser reaplicados regularmente para serem eficazes. Para testar a efetividade do tratamento, deixe cair umas gotas de água sobre a superfície tratada e aguarde alguns segundos. Se a água for absorvida é necessária nova hidrofugação. Se a água se mantiver coesa na superfície, o tratamento está completo.


Se não se sentir seguro sobre que hidrofugação fazer, que hidrofugante escolher, recorra a profissionais para o fazer. Para isso pode contar com a Blueish Green! Contacte-nos!