Prevenção da eflorescência
Os projetistas e profissionais de
construção devem compreender não apenas as causas e os mecanismos dos vários
tipos de eflorescência que podem surgir nas paredes de alvenaria, mas também devem
estar cientes dos meios para a sua prevenção e controlo, em caso de aparecimento.
A importância do projeto, da pormenorização, da seleção de materiais, do uso de
“gatos” e selantes, assim como sobre a importância das boas práticas de
construção são de importância primordial na prevenção da ocorrência de
eflorescências. Sugere-se um procedimento de análise, consistindo numa lista de
verificações com sete pontos, para uso na prospeção de problemas na construção.
Finalmente, iremos sugerir métodos para a remoção da eflorescência.
A eflorescência, normal e
incomodativo depósito de cristais de sais na face da alvenaria de tijolo, pode
ser evitada. O conhecimento da natureza e mecanismos da eflorescência, tal como
das possíveis origens dos sais e da humidade, é essencial na prevenção da
eflorescência, como já abordámos.
Não é pragmática a pretensão de
excluir todos os sais solúveis e toda a humidade do contacto com a alvenaria.
Contudo, a redução de cada um destes fatores contributivos é bastante
praticável e em geral reduzirá ou evitará a ocorrência e a severidade da
eflorescência.
Seleção dos materiais
Selecionar os materiais, isto é,
o tijolo exterior, o tijolo ou blocos de enchimento, os guarnecimentos e a
argamassa, com um conteúdo mínimo de sais solúveis e um desempenho máximo na
proteção hidrófuga da estrutura é o primeiro passo na prevenção da
eflorescência.
Tijolo – Como afirmado anteriormente existem unidades de tijolo que
não contém sais solúveis nem contribuem para a eflorescência e que estão à
venda nos mercados. Em regra é recomendável que todas as faces sólidas e
perfuradas do tijolo sejam testadas quanto à sua tendência para a eflorescência
pelo teste de eflorescência constante da Norma Europeia EN 1504, “Produtos e
Sistemas Para a Proteção e Reparação de Estruturas de Betão”.
Este teste consiste em imergir
parcialmente amostras representativas de tijolo em água destilada por um
período de 7 dias. No final deste período, deixam-se secar as unidades, e
pesquisam-se as eflorescências por comparação com amostras que não foram imersas.
O tijolo deve ser classificado nunca acima de “ligeiramente eflorescido” para
ser aceitável.
Enchimento – Muitos materiais de enchimento contém relativamente
altas percentagens de alcalis que podem contribuir para a
eflorescência na face de uma parede em alvenaria de tijolo. Sugere-se,
portanto, que as unidades de enchimento sejam testadas quanto ao seu conteúdo
em sais pelo teste de eflorescência.
conforme descrito por W.E. Brownell (W.E.
Brownell, “The Causes and Control of Efflorescence on Brickwork”, Research
Report N.º 15, Structural Clay Products Institute, 1969).
Quando são usados materiais de
enchimento que contém sais solúveis, recomenda-se que todos os pormenores da
parede e o projeto sejam tais que os materiais que contenham sais estejam separados
dos tijolos exteriores aparentes. Esta precaução de projeto evita a migração
através da parede dos sais solúveis em água que leva à eflorescência. Isto pode
ser feito através do uso de paredes com caixa de ar, por exemplo.
Para minimizar a ocorrência das
manchas verdes, são recomendados os seguintes passos :
1. Armazenar os tijolos afastados
do chão e sob coberturas de proteção.
2. Nunca usar ou permitir o uso
de soluções ácidas para limpar tijolos de cor clara.
3. Pedir e seguir as
recomendações do fabricante do tijolo nos procedimentos de limpeza, para todos
os tipos e cores de tijolo.
As manchas verdes de vanádio são
muito difíceis de remover. Nunca tentar remover as manchas verdes com ácidos.
É importante prevenir a formação das manchas
verdes causadas pelo vanádio, já que os subsequentes esforços de limpeza podem
transformá-las num depósito castanho que é muito difícil de remover.
Para se minimizarem ou eliminarem
as manchas de manganês, sugere-se o seguinte:
1. Durante a construção de um edifício usando-se
tijolos coloridos com manganês, estes não devem ser limpos com ácido clorídrico
sem que se faça a neutralização do ácido durante o enxaguamento. Esta neutralização
vai tender a reduzir a quantidade de manganês tomado pela solução.
2. A aplicação de silicone nos
tijolos pode evitar as manchas por retardar a penetração da água nos tijolos
enquanto armazenados ou em serviço.
3. Pedir e seguir sempre a
opinião do fabricante do tijolo nas limpezas de tijolos coloridos castanhos ou
com manganês.
A remoção das manchas de manganês
é uma operação muito simples. Contudo, a permanência dessa remoção é bastante
duvidosa. Por vezes, a prevenção da ocorrência das manchas castanhas de
manganês é da maior importância.
Assim sendo o que poderemos fazer
para resolver o problema?
Procurar materiais alternativos e
solicitar massivamente esclarecimentos às companhias cimenteiras sobre o assunto, pode ajudar a
que estas passem a comercializar o cimento Pozolânico em sacos e a informar de
forma adequada dos inconvenientes do cimento Portland e das vantagens do
cimento Pozolânico em determinadas aplicações, nomeadamente das suas vantagens
em ambientes húmidos.
Para minimizar o problema no
imediato, penso que a utilização da Cal Hidráulica existente em Portugal pode
resolver parcialmente o problema. Tem um calor de hidratação baixo e embora a
resistência mecânica deste “cimento pobre” como muitas vezes é designado, seja
inferior à do cimento Portland ou do cimento Pozolânico, em obras em que não
hajam solicitações mecânicas especiais, nomeadamente nas zonas envolventes de
piscinas ou de um modo geral em zonas de utilização exclusivamente pedonal,
este material pode, misturado com cimento Portland, em proporções aconselhadas
por técnicos especializados, resolver o problema.
Fica por resolver o problema das
pequenas edificações onde a humidade é uma constante, muitas vezes inevitável,
como é o caso das moradias uni familiares, nomeadamente nas aplicações em que é
exigido um certo grau de exigência mecânica, como é o caso das fundações e das
paredes sujeitas a humidade ou mesmo dos pavimentos sujeitos a grandes cargas.
Nestes casos ou se importa de outros países o cimento Pozolânico ou o problema
subsiste.
E como sabemos todas as
construções assentam em terrenos, naturalmente sujeitos a humidade.
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