
Um único operador executa a produção do mosaico até à saída da prensa. E só consegue produzir num dia 4 m2 de mosaicos. Significa, na prática, que não produz mais que 25 unidades em 8 horas de trabalho. A margem de desperdício é significativa pois o mínimo erro inutiliza a peça. Se achar que o mosaico hidráulico é caro, entre 40 € a 60 €/m2, pense nos detalhes que acabei de lhe dar… compare com o preço de muitos dos produtos similares de produção industrial, nomeadamente nas imitações do mosaico hidráulico que se encontram no mercado a preços similares.
Para compreender as características, limitações e qualidades deste material analisemos o seu processo produtivo em detalhe:
Cimento Portland:

Os pigmentos estão disponíveis em diferentes tons das cores amarela, laranja, vermelho, castanho e antracite, etc;
O pigmento tinge a estrutura do betão homogeneamente e permite uma fácil distribuição do pigmento na mistura de betão. Este processo garante um esquema de cor regular e reproduzível, com brilho de cor intenso.
Equipamentos para a produção:
Prensa:

A prensa pode ser mono posto ou ou com dois postos de trabalho, esta segunda permite rentabilizar o tempo de utilização da prensa e reduzir custos. É sobre a bancada de preparação que se dão as operações de execução do mosaico. Os materiais e ferramentas ficam em repouso em bancadas auxiliares em ambos os lados do posto de trabalho ou apenas de um lado, com níveis. Por exemplo, no nível superior os cimentos e almotolias, no inferior, as ferramentas de limpeza do separador, óleo e aplicador, etc.
Molde:


O bastidor ou moldura:

Esta componente do molde é o que cinge o cimento e lhe dá a forma, como iremos ver. É colocado
em torno da base e cingido com o mecanismo de aperto que se vê na imagem.

Esta componente assenta sobre o preparado do mosaico. Com o seu peso exerce logo uma pré-
pressão sobre o conjunto, antes da inserção na prensa.
Separador:
O separador é uma componente executada em chapa, soldada com a reprodução do desenho pretendido do mosaico. Nos compartimentos é introduzido o cimento pigmentado de acordo com o desenho previamente estipulado.
Observemos, então, o processo de fabrico:
Operações de preparação:

Mistura-se o cimento com água em proporções bem determinadas e adiciona-se o pigmento com o mesmo critério. O cimento tem de ficar com muito pouca viscosidade para que possa ser facilmente derramado nos compartimentos adequados do separador.
Esta é uma operação que tem de ser executada por cada mosaico produzido. Os restos de cimento já em processo de hidratação são eliminados desta forma. Se não fosse feito, dar-se-iam misturas de pigmento, ou seja, passagem de cimento de um compartimento para outro por baixo do separador. Este tem de ficar completamente apoiado na base, sem folgas. Passa-se uma lima fina na parte de baixo e, em seguida é friccionado numa base levemente abrasiva para garantir o nivelamento integral do separador.

Limpeza do bastidor/moldura:
Com uma trincha, eliminam-se resíduos de cimento e pó de cimento.

Fricciona-se a base do molde com uma lã de aço fina para eliminar possíveis resíduos resultantes da execução do mosaico anterior.

Derrama-se um pouco de óleo sobre a base e, com auxílio de uma almofada, espalha-se por toda a base, garantindo que toda a superfície é homogeneamente lubrificada.

O objetivo é impedir que o cimento se agarre à base e, no momento da separação, porções de cimento se separem do mosaico, o que resultaria em refugo.

Insere-se o bastidor em torno da base e aperta-se.

Insere-se cuidadosamente o separador no interior do molde, assegurando que fica totalmente apoiado na base.
Com uma almotolia ou colher com desenho específico para esta operação, preencher os compartimentos com as cores previstas no padrão. Esta operação é extremamente delicada pois um engano inutiliza o mosaico. O cimento pigmentado deverá formar uma camada de aproximadamente 3 a 4 mm. Na prática resultam diferenças na espessura do cimento pigmentado de compartimento para compartimento.


Uma vez preenchidos os compartimentos, o operador abana o molde com movimentos repetitivos para que se produza uma distribuição homogénea do cimento e forme uma camada mais ou menos homogénea.

Cuidadosamente, o operador remove num movimento lento e vertical mas firme.
Com um crivo, distribuir uma camada mais ou menos homogénea de cimento Portland. Esta camada vai catalizar o processo de hidratação do padrão, estabilizando-o.
Manualmente colocar uma porção de cimento Portland sobre o conjunto e espalhar, assegurando que os cantos são preenchidos.

Com uma régua niveladora, distribuir o cimento de forma uniforme, passando a régua de um lado ao outro e no sentido inverso, eliminando excedentes.

Esta régua tem recortes nos dois extremos que permitem assegurar que o mosaico fica com a mesma espessura em toda a superfície.

Colocar o batente cuidadosamente sobre o conjunto. Esta operação tem de ser feita com cautela para assegurar que toda a superfície do batente entra em contacto com o mosaico em simultâneo e lentamente para deixar que o ar acumulado entre as partículas de cimento saia e não fique aprisionado.
Deslizar o conjunto para a área de prensagem, posicionar no ponto de prensagem e acionar a prensa.

Remover molde da área de prensagem, desapertar a moldura e removê-la.


Levantar o conjunto base e mosaico, colocar em plano vertical e, com cuidado, deixar que a gravidade e pressão exercido pelos dedos separe o mosaico da base. Esta operação tem de ser feita com cautela pois o cimento ainda não está hidratado e, logo, podem separar-se pedaços nesta operação.
O mosaico está pronto para os procedimentos de cura:

Esta operação objetiva remover rebarbas existentes do processo de fabrico e molhar o mosaico para auxiliar a hidratação/cura.

Cura:
O mosaico é armazenado de forma a que o ar possa circular por todas as superfícies durante 3 semanas, tempo para a hidratação completa do cimento. Só então fica pronto para embalar e expedir para o cliente.

Em contrapartida, cada mosaico é único: pequenas variações nos desenhos do padrão imprimem essa originalidade a cada mosaico, carimbo de um processo totalmente artesanal, reflexo de um passado numa sociedade moderna mecanizada, homogeneizada, desumanizada.
É aqui, independentemente da beleza dos padrões, que reside a riqueza deste produto. É um reflexo humanista numa sociedade de automatismos cada vez mais presentes.
Por isso se enquadra no estilo arquitetónico pós-modernista Minimalista tão em voga: é um grito de revolta contra o convencionalismo, a modernização, a ostentação, refletindo por oposição a simplicidade, o retorno ao humano, ao artesanal, ao funcional, sem pretensões de grandiosidade, mas com uma inequívoca beleza estética.
No próximo artigo abordaremos a aplicação de mosaico hidráulico e o seu tratamento.
Para qualquer esclarecimento não hesite em nos contactar. Informamos das várias possibilidades a seguir, orçamentamos sem custo ou compromisso. E executaremos com profissionalismo a recuperação e/ou tratamento das suas superfícies!